domingo, 11 de novembro de 2012

Petach Tikvá (A Porta da Esperança)

Vinde, Quinhentismo moderno!
- País cuja providência é tomada por autarquia regular-
Sê insolúveis, nada contribuíra para tão almejada Oligarquia "In Peace".
Sufrágio capitalismo universal!
Bendito Marxismo!
Apropria-te, pois: "Lihiyot an chofshi". (De ser uma nação livre)
E glorifica-te do Comunismo!
Senhores os deuses corruptos a extorquir tamanha vilidade humana.
E, por ventura, retira-te o cadáver- Eis do homem!
Que corroa a democracia
E desmistifique o nacionalismo astringente.
Hatikvah! (Esperança!)
Enquanto o deus Stalin persistir- o Estado, não existe.
Retifica-te:
O mundo não exonera-se de uma bestialidade cordial a voz passiva-
lograda a tinta atabique.
Lehitra’ot! (Adeus!)

Milena S.


quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Mulher

Eis aqui, a última ousadia a que me refrige:
Ver-te em nupcial descaso à outrem.
Despindo-se, por um segundo-amarelando.
Ver-tes com sabor do negrume da noite-
e cheiros a banhar escarlates.
Virgem piedosa- dos seios castos
e da alma deslumbrada em único fervor.
Suas pálpebras e apalpáveis mãos
mostram-me a carícia supérflua-
da tua noturna, estranha chegada.
Virgem branca da paz!
Sê-des consolada pelos algozes do esplêndido alcorão-
Desço a alquimia, para tão somente contemplar
o líbido rosto da mulher- sem traços finos a retorquir tamanha eloquência.
Faça-te em pormenores, querida-
Bendigo-te na mais esbranquiçada negritude da alma-
sob a pureza do olhar e a repudia do pecado:
Venhas a banhar o eterno, e serás, assim-
-para sempre- a imagem de mulher
refugiada de muitos,
e a mulher- tão esperada mulher-
almejada, de poucos.

Milena S.

domingo, 17 de junho de 2012

Inconfidente.

Pela rege heresia preambular, avisto teu sepulcro cadáver!
Homem- Ser do corpo esquartejado. Pura ignóbil desgraça.
Seus pés, anarquizados. Seu semblante, desfigurado.
Vestes brancas a clamor da paz!
Dito Recôndito!
Revolta de 1789- Equívoco atroz a tamanha cobardia conjurada.
Traços geométricos a formar,
repudia inutilmente sádica
À memorar- formato brasileiro-
Resta a premência outorgar- cores, gritos, desgraças
À parecer inda mais memorável País,
cujo consolo não se faz aos homens truístas.
Destes, nada se diz respeito; só repito rejeito:
Joaquim Silvério, sadismo bucólico.
O Brasil deveria ser vermelho.

Milena S.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Poema sem nome

Vejo e reconstruo em ti cuja alma sem nome. Simples medito.
-Óh! célebre e fulcro cadáver-
Tua imagem és tudo o que resta do amargo recôndito
Este amago miserável.

Não digas prolífera demasias
Eis a odisseia da tua sinestesia notória
Vês- altivo e monótono imarcescível
 Do dilúvio e recruto prodígio

Direi o último equilátero- Sê-los paradoxo
Às alquimias da vil áurea pagã
Doiradas ao vento into-requinto
A dilacerar a merda humana

Surge-eis a última monotonia benévola-que
Dela por-dês exulo-afrodisíacos na terra
A constipar a ignóbil desgraça humana.
Por que existes?

Milena S.

domingo, 15 de abril de 2012

Flor de Nubia

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Óh, quão doçura essa menina tens.
Pele serena, olhos miúdos refletindo o cair da noite.
Uma ternura graciosa em seus lábios.
Cabelos negros, sedosos, transpareçendo a madrugada estrelada em seus leitos.
A mais bela entre as flores.
A mais culta entre as donzelas.
A mais sábia entre as raparigas.
A mais sensível doçura de mulher.
Olhar penetrante e dissimulado são seus olhos.
Sua beleza encanta a natureza e sua inteligência aos pássaros.
Tens carinho por todos e amor por alguns.
Seu coração é de tamanha grandeza que se possível colocari-eis o globo terrestre dentro dele.
Seu nome é perfeito e há de ter cinco letras com significado esplêndido deixando a seu ponto de escolha.
Direi a ela Flor de Nubia, nome doce e aconchegante, mais límpido e intocável, assim como as ondas do mar tocam o céu.


Poema dedicado a uma das minhas melhores amigas: Nubia Evellyn

Milena S.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Vasto

Neste vasto mundo vertiginoso
Vide Homem- constipação cruel
À inefável criação da fera
Esta inseparável demência humana

Tão pouco aflige-me tua chaga que prolifera
Acude?! És o literato do crucifixo-que-
Pela insensata modéstia
Da virtude renascença regenera

Não inflija benevolência-bem sabeis-Homem
Tua idiossincrasia não causa inda pena estratosfera
À tamanha prosa-prosador-estrume do lixo

Cada revés que me recruta-recrutamente
São calúnias do teu ímpio algoz-
Simples tormento da vida mediocremente mundana dos ratos.

Milena S.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Tempo.

O relógio é o entendimento promíscuo do antihorário
Os ponteiros. Segundos a badalar vinte horas-
Que indicam-me à abadia-
Do fim escandinabro.

Cada passo, um regresso desmedido
A cobrir de repudia esta pantera
Que vislumbra de fadiga o cheiro vil deste afago
Entre tempos perdidos de minha quimera.

Minha alma pertence a outra parte
Esta Rúbia- corpo já desfeito em pó
Perdidos em vão nos pedaços- dissabores alheios-
A almejar meu retorno sem face.

Os anos passam, assovio estrelas
Não enxergo-te, avisto o substancial
Face prodigiosa a repelir escarlates
De um futuro regredido ao passado progresso.

Milena S.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Regionalismo Brasileiro

Homem, ser da natureza bilíngue
Tu, que na terra bota quilombo
Pai-de-santo, Cabeça-de-pequim
És-tu, ó Rio Amazonas, a disputar Índio Tupi.

Filho-de-Aquém, perjuro danoso
Seja mestre de arraia, terra-preta
Mãe-de-todos, Surucupi Selvagem
A avançar verde-mata, preto-bolo.

A surucupira de enxada, caboclo
O Rei-da-selva, Murucupi-do-sertão
A Jibóia a matar índio, Ceci de Magalhão
A quatro léguas, de via-mão.

Em cada arreixo, um advérbio
Do Regionalismo, mil alecrins
Peri, Ceci. Do Rio Amazonas a constipar,
desta terra, Portugueses a dominar!

Milena S.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Atos Confidenciais

No retrato, eu morto
Contemplando as alvíssaras que me restam
E a face, destroçada pelo tempo
Nua de ardor como fogo em tapume.

Ando mil quadras pro lado
Me encontro, longe de mim
No espelho ressonam minhas lágrimas pretas,
A saborear meu retorno escandinabro.

Um rouxinol me consome
Pela fatigada monotonia dos ventos
Eis a última das tuas quimeras a ressonar,
E eu, a contemplar meu retrato, eu morto.

O mármore a cheirar atabique
Se desvanece com a porosidade dos tempos
Esfumaçando pela sala, pedaços de cetim
E eu, ainda a contemplar-me morto, agora, sem retrato.

Milena S.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Confissão Literária

Se digo, recitar Shakespeare
Por que me acude com José de Alencar?
Brota mil e um "ar-dis"
E nenhum romance.

Sejais tolerável, amigo
És-te complicado Assis?
Pois te parece Mário de Andrade
Fujas do inimigo, não do tolo

Versos Alexandrinos, proparoxítona
Decassílabos do BA-BÁ
Sonetos em versos
Eis a metrificação

Quincas Borba, a mesmice irradiação
Ou será Casimiro de Abreu?
Príncipe dos Poetas, Poeta dos Escravos
Tríade Parnasiana, poetas de coração!

Milena S.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Sublime Falsário

Entre a monotonia das noites
Vejo neste ínterim, imagens,
imagens que nunca encontrara antes
cópias do Homem-da-Noite.

Meus cânticos, sussurrando uivos de mortos
são tormentos, escárnios aos olhos dos sábios
Flores rosas no quadro negro. Vejo.
Ora vespertinas, ora matutinas, retalhos perdidos.

A noite, a lua escarra como feixe
Ao despertar, o sol desaparece, taciturno
Ora, veja pois, que escuridão matutina
Que claridade nociva, teus olhos, Homem.

Nas madrugadas pródigas, vejo-te andando nas ruas
O dia vem, vejo-te dormindo acordado
Ora, que deste homem sublime, Filho-da-Noite,
Sê, se comparado ao Bicho-do-Mato.

Milena S.