terça-feira, 10 de abril de 2012

Vasto

Neste vasto mundo vertiginoso
Vide Homem- constipação cruel
À inefável criação da fera
Esta inseparável demência humana

Tão pouco aflige-me tua chaga que prolifera
Acude?! És o literato do crucifixo-que-
Pela insensata modéstia
Da virtude renascença regenera

Não inflija benevolência-bem sabeis-Homem
Tua idiossincrasia não causa inda pena estratosfera
À tamanha prosa-prosador-estrume do lixo

Cada revés que me recruta-recrutamente
São calúnias do teu ímpio algoz-
Simples tormento da vida mediocremente mundana dos ratos.

Milena S.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Tempo.

O relógio é o entendimento promíscuo do antihorário
Os ponteiros. Segundos a badalar vinte horas-
Que indicam-me à abadia-
Do fim escandinabro.

Cada passo, um regresso desmedido
A cobrir de repudia esta pantera
Que vislumbra de fadiga o cheiro vil deste afago
Entre tempos perdidos de minha quimera.

Minha alma pertence a outra parte
Esta Rúbia- corpo já desfeito em pó
Perdidos em vão nos pedaços- dissabores alheios-
A almejar meu retorno sem face.

Os anos passam, assovio estrelas
Não enxergo-te, avisto o substancial
Face prodigiosa a repelir escarlates
De um futuro regredido ao passado progresso.

Milena S.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Regionalismo Brasileiro

Homem, ser da natureza bilíngue
Tu, que na terra bota quilombo
Pai-de-santo, Cabeça-de-pequim
És-tu, ó Rio Amazonas, a disputar Índio Tupi.

Filho-de-Aquém, perjuro danoso
Seja mestre de arraia, terra-preta
Mãe-de-todos, Surucupi Selvagem
A avançar verde-mata, preto-bolo.

A surucupira de enxada, caboclo
O Rei-da-selva, Murucupi-do-sertão
A Jibóia a matar índio, Ceci de Magalhão
A quatro léguas, de via-mão.

Em cada arreixo, um advérbio
Do Regionalismo, mil alecrins
Peri, Ceci. Do Rio Amazonas a constipar,
desta terra, Portugueses a dominar!

Milena S.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Atos Confidenciais

No retrato, eu morto
Contemplando as alvíssaras que me restam
E a face, destroçada pelo tempo
Nua de ardor como fogo em tapume.

Ando mil quadras pro lado
Me encontro, longe de mim
No espelho ressonam minhas lágrimas pretas,
A saborear meu retorno escandinabro.

Um rouxinol me consome
Pela fatigada monotonia dos ventos
Eis a última das tuas quimeras a ressonar,
E eu, a contemplar meu retrato, eu morto.

O mármore a cheirar atabique
Se desvanece com a porosidade dos tempos
Esfumaçando pela sala, pedaços de cetim
E eu, ainda a contemplar-me morto, agora, sem retrato.

Milena S.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Confissão Literária

Se digo, recitar Shakespeare
Por que me acude com José de Alencar?
Brota mil e um "ar-dis"
E nenhum romance.

Sejais tolerável, amigo
És-te complicado Assis?
Pois te parece Mário de Andrade
Fujas do inimigo, não do tolo

Versos Alexandrinos, proparoxítona
Decassílabos do BA-BÁ
Sonetos em versos
Eis a metrificação

Quincas Borba, a mesmice irradiação
Ou será Casimiro de Abreu?
Príncipe dos Poetas, Poeta dos Escravos
Tríade Parnasiana, poetas de coração!

Milena S.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Sublime Falsário

Entre a monotonia das noites
Vejo neste ínterim, imagens,
imagens que nunca encontrara antes
cópias do Homem-da-Noite.

Meus cânticos, sussurrando uivos de mortos
são tormentos, escárnios aos olhos dos sábios
Flores rosas no quadro negro. Vejo.
Ora vespertinas, ora matutinas, retalhos perdidos.

A noite, a lua escarra como feixe
Ao despertar, o sol desaparece, taciturno
Ora, veja pois, que escuridão matutina
Que claridade nociva, teus olhos, Homem.

Nas madrugadas pródigas, vejo-te andando nas ruas
O dia vem, vejo-te dormindo acordado
Ora, que deste homem sublime, Filho-da-Noite,
Sê, se comparado ao Bicho-do-Mato.

Milena S.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Relíquias Douradas!

Óh, minhas relíquias formosas!
Como és grande sua majestade sob honra de vosso rei dramaturgo.
Tão esplêndido és tua face, que intervio-lhe com humilde sensatez estas singelas palavras.
Há uma fonte de delicadeza sobre ti, que causas-me pânico que surjam torpes vulneráveis e dramáticos sob vossa esplêndida face nua de ardor.
Óh, relíquias douradas!
Óh, relíquias malvadas!
Óh, relíquias tão bem amadas!
Com tamanha impregnância vos concebo essas frases, por serdes divina como uma flor que desabrocha rosas vivas e fazê-lás fruto de sua sabedoria incontestável.
Não deixeis que nenhum torpe estrague-lá e faças de ti caminho que jaz no inferno.
Tome como honra sua beleza que nada atingirás, se por cautela sensata de sua modéstia plenitude.
Vigente, formosa, simpática e cheirosa!
Qualidades tenebrosas que nenhum Jeca Tatu tirás de ti, por tão intocável que és tua diviníssima fidelidade de boa rapariga doce.
Tão clara de paz!
Tão cheia de vida!
Singela és tua beleza, formosa és tua doçura, ato repentino e humilde recaís-te sob tua face do desvenerado criador!
Trajás-te teu caminho, traçás-te tua vida e guarde-eis relíquias douradas com sabor do pecado que jaz um coração repentino de boa rapariga hostil.

Milena S.