quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Mulher

Eis aqui, a última ousadia a que me refrige:
Ver-te em nupcial descaso à outrem.
Despindo-se, por um segundo-amarelando.
Ver-tes com sabor do negrume da noite-
e cheiros a banhar escarlates.
Virgem piedosa- dos seios castos
e da alma deslumbrada em único fervor.
Suas pálpebras e apalpáveis mãos
mostram-me a carícia supérflua-
da tua noturna, estranha chegada.
Virgem branca da paz!
Sê-des consolada pelos algozes do esplêndido alcorão-
Desço a alquimia, para tão somente contemplar
o líbido rosto da mulher- sem traços finos a retorquir tamanha eloquência.
Faça-te em pormenores, querida-
Bendigo-te na mais esbranquiçada negritude da alma-
sob a pureza do olhar e a repudia do pecado:
Venhas a banhar o eterno, e serás, assim-
-para sempre- a imagem de mulher
refugiada de muitos,
e a mulher- tão esperada mulher-
almejada, de poucos.

Milena S.

Nenhum comentário:

Postar um comentário